Últimos dias
Acabei de ter uma noite daquelas em que nos conseguimos sentir bem (ou pelo menos relativamente bem) apesar de sabermos que tudo à volta está a cair. Como se estivesse sentada no peitoril duma janela muito alta, de vestidinho solto e pés a abanar. Com uma aragem que corta o calor sufocante da noite. E lá em baixo o mundo a ruir e a perder o sentido.
Tem acontecido tanta coisa. O pior é reconhecer que são as mesmas coisas de sempre, porque tudo parece um grande circulo em que eventualmente voltamos ao mesmo ponto num rodar de tempo. Só que são as mesmas situações acumuladas com consciência de que elas já aconteceram uma vez, ou duas vezes, ou, neste caso, três. E agora quatro. Trazendo a invariavel sensação de que vai ser sempre assim. E de que não conseguimos mudar isso, por mais que tentemos.
Mas agora é hora de sair da janela, calçar os chinelos e descer as escadas.
Voltar ao círculo, na contínua ilusão de que conseguiremos um dia sair dele.
Será que sim?
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